03 de August 2018

Na batalha pelo 5G, quem vence: Huawei ou Samsung?

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A Samsung Electronics se tornou sinônimo de tecnologia na Coreia do Sul, mas uma polêmica concorrente poderia ofuscá-la na corrida para construir redes sem fio de quinta geração em seu próprio território. A Huawei Technologies, empresa chinesa criticada no Congresso dos EUA como uma ameaça à segurança, está concorrendo para fornecer equipamentos para as três operadoras de telefonia móvel da Coreia do Sul.

A Coreia do Sul tenta se tornar o primeiro país a implementar redes 5G, e fornecedores de todo o mundo estão disputando a venda de switches, estações de base e outros equipamentos necessários para o funcionamento dessas redes.

Embora a Samsung seja mais conhecida por seus smartphones e chips de memória, que seus equipamentos fiquem de fora das redes sem fio mais avançadas em seu país natal seria um revés para uma empresa que recebeu uma série de golpes recentes.

A Huawei se tornou a maior fabricante de equipamentos de rede e está se aprofundando na tecnologia 5G, investindo fortemente em pesquisa e se tornando uma das maiores detentoras de patentes.

Suas perspectivas entraram em foco no início deste ano, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, impediu a Broadcom de comprar a Qualcomm porque, segundo os EUA, o acordo poderia ajudar a empresa chinesa a se tornar líder no desenvolvimento da próxima geração de redes.

A Huawei tem sido agressiva e iniciou o desenvolvimento antes que outras. Estamos fazendo a análise com a mente aberta e sem parcialidade

Park Jin-hyo, vice-presidente executivo da SK Telecom, em entrevista.

A SK Telecom e as concorrentes de menor porte KT e LG Uplus têm mais de 56 milhões de assinantes, um número maior que a população do país, de 51 milhões. O custo é um fator crítico na decisão sobre os equipamentos, porque elas concordaram no mês passado em desembolsar 3,6 trilhões de wons (US$ 527 bilhões) para o espectro sem fio 5G.

A LG Uplus expressou disposição para escolher a Huawei, enquanto a SK Telecom e a KT estão avaliando a empresa chinesa, bem como Samsung, Nokia e Ericsson.

Nesta semana, o ministro de Tecnologia do país tem reunião marcada com os chefes das três operadoras de telefonia móvel da Coreia para analisar o projeto de implementação 5G – e é provável que a Huawei surja na discussão.

Ainda assim, restam dúvidas sobre a Huawei e a segurança. A empresa foi fundada em 1987 por um ex-oficial militar chinês e afirma que agora pertence a trabalhadores. Mas os EUA acusaram-na de manter vínculos estreitos com o governo e possibilitar espionagem. A companhia está proibida de vender equipamentos de rede para as maiores operadoras dos EUA e teve dificuldades para conseguir apoio para seus celulares no país.

A Huawei não respondeu a um pedido de comentário enviado por email. A Samsung não quis comentar.

O sucesso da Huawei para conseguir contratos de rede fez com que ela apostasse alto em dispositivos para consumidores, e a companhia agora é a terceira maior fornecedora de smartphones, atrás apenas da Samsung e da Apple. Embora a Samsung continue à frente da Huawei nos smartphones, sua vantagem está diminuindo. No ano passado, a fabricante dos telefones Galaxy teve uma participação de mercado de 21,9 por cento, e a Huawei, de 10,8 por cento, de acordo com a TrendForce.