21 de novembro de 2018

O profissional jurídico corporativo

Área Jurídica | Artigos |

alessandro maciel

Texto por Dr. Alessandro Maciel
Gerente Jurídico
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Recentemente revisitei um artigo muito interessante do João Ozorio de Melo[1], em que o autor comenta uma pesquisa realizada pelas Universidades de Chicago, Estadual da Flórida e Stony Brook, todas nos Estados Unidos, que comparou a formação educacional de 3.500 CEO’s com o estoque de ações judiciais dessas companhias.

O estudo apontou que as corporações lideradas por CEO’s com formação jurídica foram menos processadas do que as demais. Além disso, o estudo concluiu que essas mesmas corporações conseguiram gerir e defender-se melhor nos casos judiciais, fazendo menos acordos para encerrar ações, o que significa considerável economia financeira e humana.

Já na América Latina, um estudo realizado pela FESA[2], apontou que as vagas de CEO são geralmente ocupadas por funcionários oriundos das áreas comercial e financeira, Na opinião de Carlos Nosé – Diretor da FESA – os profissionais dessas áreas tendem a possuir uma tríade de comportamentos que o fazem se destacar: visão macro, gestão de pessoas e habilidade na comunicação com acionistas.

Alguns poderão afirmar que advogados não se identificam com operações de risco e, por isso, podem frear operações de crescimento da empresa. Outros, por outro lado, afirmam que advogados tendem a realizar gestão com mitigação de riscos (que também gera lucro) e que facilitam o compliance.

Contudo, previamente à ponderação dos prós e contras, o desafio de preparação do profissional jurídico corporativo é enorme!

Observando as disciplinas ministradas nos cursos de Direito no Brasil, é possível identificar que a cultura do ensino é voltada para o litígio. Não há preparação do aluno de Direito para carreira executiva. O postulante a Advogado muitas vezes sequer toma conhecimento da existência da carreira corporativa e, quando a conhece e deseja segui-la, encara desafios no desenvolvimento de habilidades que não lhe foram ensinadas nos bancos da faculdade.

Possuir conhecimentos em gestão administrativa e de pessoas, estatística, habilidades com números, poder de síntese em apresentações e normas CPC Ibracon são algumas das habilidades que precisarão ser incorporadas ao perfil do Advogado corporativo, que deverá igualmente manter a cultura de solução e prevenção dos litígios, em que pese não ser, na maioria das vezes, o protagonista na atuação direta da demanda, tal como lhe fora ensinado na faculdade.

Independentemente de qualquer posição hierárquica, o profissional jurídico corporativo deve aliar seus conhecimentos técnicos como “expert” com os objetivos e resultados da empresa, viabilizando operações e demonstrando disponibilidade e proximidade com todas as áreas de negócio.

[1] João Ozorio de Melo é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos – disponível em: https://www.conjur.com.br/2017-jul-17/advogados-cargo-ceo-tendencia-profissao

[2] O que é preciso para ser um CEO – disponível em: https://exame.abril.com.br/carreira/o-que-e-preciso-para-ser-um-ceo